A fórmula e o cuidado com as unidades
Juros compostos são juros que incidem sobre juros. O valor final sai de capital multiplicado por um mais a taxa, elevado ao número de períodos: o montante de R$ 1.000 a 1% ao mês por 12 meses é R$ 1.126,83, contra R$ 1.120 nos juros simples.
O erro mais frequente é misturar unidades: taxa mensal com prazo em anos, ou taxa anual aplicada a um prazo em meses. Antes de calcular, coloque taxa e prazo na mesma medida de tempo.
Com aportes mensais a conta muda de escala
Quando existe depósito todo mês, o resultado deixa de ser um único cálculo e passa a ser a soma de vários, porque cada aporte rende por um tempo diferente. O depósito feito no primeiro mês rende por todo o período, o do último mês rende quase nada.
É por isso que o total investido e o total de juros precisam ser olhados separadamente. Numa simulação longa, os juros podem superar com folga tudo o que foi depositado, e é esse efeito que a maioria das pessoas subestima.
Por que o tempo pesa mais que a taxa
Aumentar a taxa melhora o resultado de forma proporcional, mas aumentar o prazo melhora de forma exponencial. Dobrar o tempo de um investimento tem efeito maior que dobrar a taxa no mesmo intervalo.
R$ 1.000 a 1% ao mês dobram em cerca de 70 meses. Se a taxa subir para 2%, o tempo de dobra cai para uns 35 meses, mas se o prazo original for estendido sem qualquer mudança de taxa, o valor final também dobra.
O que a simulação não mostra
Toda simulação é um cenário, não uma promessa. Rentabilidade passada ou uma taxa fixa hipotética não garantem o resultado futuro, e produtos de renda fixa podem ter taxas diferentes ao longo do tempo.
Faltam ainda os custos e tributos: taxa de administração, IOF nos primeiros 30 dias e imposto de renda com alíquota regressiva conforme o prazo. A inflação também precisa entrar na conversa, porque R$ 10.000 daqui a vinte anos compram menos que hoje. Este conteúdo é educativo e não é recomendação de investimento.